Feliz dia dos pais, pai

Tenho muitas fotos de momentos especiais que passei no Brasil no ultimo ano, depois de dois anos e meio longe de casa. Mas os momentos que mais marcaram a minha estadia lá, eu não preciso de fotos para lembrar. Um deles, foi quando comecei a fazer as malas para voltar para a Austrália: eu estava sentada no chão do meu quarto, tentava separar as roupas para colocar na mala aberta na minha frente, meu telefone estava do lado, tocava a música ˜Paciência˜, do Lenine. Eu tentava inutilmente engolir o choro, respirava fundo, mas as lágrimas não paravam de rolar no meu rosto, uma atrás da outra. O meu pai estava do meu lado, em silêncio.
É tão fácil a gente encher diálogos de palavras vazias com tantas pessoas diariamente e tão difícil encontrar pessoas que a gente consiga simplesmente compartilhar o silêncio e, ainda assim, ser compreendido.
Quanto difícil deve ser para um pai e uma mãe que cuidaram de um filho com tanto carinho ver eles saírem pela porta sem saber quando, e se, irão voltar? Quão difícil é para qualquer pessoa viver longe de quem se ama? E mais difícil ainda, mesmo longe, conseguir ficar feliz por saber que a outra pessoa está feliz? Dar liberdade para quem amamos é a maior prova de amor que existe. Afinal, o amor verdadeiro não é possessivo e não exige presença física, porque no amor verdadeiro, na conexão de coração para coração, não existe tempo nem distância.
Aquele momento, como tantos outros que fazem parte da minha memória, me fazem ter certeza de que há coisas que não tem preço, como diz Lenine: a vida é tão rara. Viver longe dos meus pais, as pessoas mais importantes da minha vida, é um preço caro demais a pagar por qualquer coisa. Algumas pessoas podem achar que é difícil para quem mora longe passar datas como essa distante, mas, na verdade, são das coisas mais simples que sentimos falta e sentimentos essa falta todos os dias, em diferentes momentos. Ainda sinto o gosto da granola ou da paella que meu pai faz. Até as batidas na minha porta de manhã cedo quando eu estava atrasada para a escola, que à época eu odiava, hoje fazem falta. Ainda nos vejo caminhando pela rua em um domingo de sol tentando decidir em que restaurante almoçar. Sinto falta de ver meu pai e meu irmão jogando videogame como duas crianças. De olhar para os girassóis no quadro da sala e saber que eles tinham sido pintados por ele. De saber que todo maio tinha a festa dos taurinos e a gente ia dançar muita música boa juntos . E mesmo que a gente já não morasse na mesma casa, eu sabia que era só eu pegar um ônibus e ele estaria na rodoviária me esperando, andando de um lado para o outro um pouco desatento, o carro estacionado sempre na mesma vaga.
De certa forma, acho que fiquei dois anos e meio sem ir para casa porque eu já sabia o quanto ia ser difícil voltar. Ao contrário de muita gente que vai passar as férias em casa, em nenhum momento eu não senti que aquele não era meu lugar. Casa é onde o coração está e minha casa no Brasil é o lugar mais especial que já encontrei no mundo, só que eu precisava vir até o outro lado do mundo descobrir isso, precisava descobrir que as únicas barreiras que existem estã18447682_10211479217110042_477556778042539538_n

 

Sobre anandadelevati

Ananda Unmani Delevati, jornalista, viajante, escorpiana, vegetariana, intensa. Acredito que a gente está no mundo para viver e compartilhar coisas boas e tentar ser nossa melhor versão, sempre. Pelo caminho aprendi que não há muita explicação lógica para a vida e só nos resta viver, aproveitar cada momento com liberdade e consciência e espalhar amor por aí <3 Atualmente vivo em Byron Bay, Australia, e trabalho com intercâmbio desse lado do mundo :) Tenho interesse por viagens, espiritualidade, gastronomia, vida saudável, filmes, livros, boas convertas e por escrever. Compartilho um pouco de tudo isso por aqui! Dicas, sugestões e feedbaks são muito bem vindos. Contato: anandadelevati@gmail.com
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